Como o Jiu-Jitsu me ajuda a evoluir como Designer e Ser humano. | Atos Guetho Jiu Jitsu - Blog
Como o Jiu-Jitsu me ajuda a evoluir como Designer e Ser humano.
Atos Guetho Jiu-Jitsu em 15/06/2020

Por Arev Steffen, faixa roxa Atos Guetho Jiu-Jitsu

Uma das palavras “quentes” na comunidade do design hoje em dia é empatia. O passo inicial no processo de Design Thinking é colocar-se no lugar do usuário para compreender as emoções, desejos e necessidades perante algum determinado problema. Entretanto, nem sempre é tão simples ter empatia.

A partir das experiências que tive ao lidar com diferentes pessoas, pude observar como é vasta a variedade de comportamentos, culturas e etnicidades. Porém nem sempre é possível ter essa exposição à diferentes culturas, nos limitando somente aos usuários de projetos que nos envolvemos e aos nossos colegas que convivemos diariamente.

Em 2013, iniciei minha jornada no Jiu-Jitsu quando voltei ao Brasil após ter morado na região de Nova York durante 5 anos. Nos EUA, fui exposto aos mais variados perfis de pessoas de diversas culturas do mundo todo — mas essa é uma história para outra hora. A arte suave entrou na minha vida e desde então é minha aliada para enfrentar os desafios e problemas que todos temos.

Hoje, 5 anos após o início da minha jornada no BJJ, consigo colocar em perspectiva a importância que essa arte me ensinou, principalmente em como lidar e entender as pessoas ao meu redor. Aqui vão 5 pontos que elenquei sobre como o Jiu-Jitsu me ajudou a crescer como designer.

1 – Autoconhecimento:

Quando dominamos nosso “animal interior”, aprendemos a lidar com um lado que as pessoas normalmente tentam suprimir, o nosso instinto de defesa e ataque que a evolução desenvolveu durante milhões de anos. Doutrinando esses instintos, nos tornamos pessoas mais leves que deixam para o tatame a raiva, angústia e frustrações acumuladas do dia-a-dia. Acredito que o ditado “quem luta não briga”, venha desse autoconhecimento que adquirimos após tanto tempo de “guerra”. A luta ensina que para superar os limites de hoje, é preciso trabalhar em nós mesmos as barreiras que nosso próprio psique impõe. Além disso, é de suma importância aprendermos a escutar e sentir nosso corpo, pois é o bem mais sagrado que o ser humano deve cuidar e elevar de todas maneiras possíveis.

2 – Ego:

Poucas lições foram tão grandiosas quanto a que tive no início da caminhada, ainda na faixa branca. Me sentia um boneco de pano na mão dos outros. Um colega de treino com 20 kg a menos do que eu, me finalizava rotineiramente em menos de 10 segundos. Era difícil conceber tamanha dominância que os outros tinham contra minha pessoa. Nos dois primeiros anos de prática, nosso ego é completamente remodelado, nos ensinando que aparências enganam muito e que não somos tão poderosos quanto gostamos de imaginar. O velho ditado — Entre mas deixe seu ego na porta — é premissa para evoluirmos como praticantes e profissionais, nos tornando mais abertos a feedback e críticas que venham a melhorar nosso processo e entendimento sobre o todo.

3 – Zona de Desconforto:

Independente de quanto tempo passe, Jiu-Jitsu nunca fica confortável. É preciso força de vontade e sacrifício para consistentemente continuar treinando e evoluindo. Durante os primeiros 2 anos de prática, eu orgulhosamente não faltei uma semana sequer de treino. Por sorte, eu não tive nenhuma lesão e por isso consegui visualizar meu progresso durante esse tempo. Assim como no design, a consistência e perseverança pela atenção aos detalhes nos guiam sempre para evolução. Lutando eu consegui conectar a relação que se aplica a qualquer atividade, as pessoas agem exatamente iguais fora e dentro do tatame. Comportamento, determinação, garra e a insaciável busca pelo melhor são expressados de diversas maneiras durante o treino, na reunião, durante uma conversa séria com um colega etc. Estar fora da zona de conforto é a maneira mais eficiente para se manter em evolução e o Jiu Jitsu nos obriga a movimentar, rolar, suar, e chegar à exaustão — nos ensina a ficar confortável em situações desconfortáveis.

4 – Compaixão:

Sinônimo de empatia, o dia-a-dia com os colegas de treino nos expõe para realidades bem diferentes das nossas. Na minha academia, por exemplo, treinam homens de negócio, advogados, ex-alcoólatra, policiais, pessoas que passaram por traumas profundos e outras que se salvaram por causa do Jiu. Independente do background, todos acabam se ajudando e nutrindo uma relação positiva de entendimento e busca pelo preenchimento do nosso próprio potencial. Essa compaixão pode ser transmitida para todas pessoas, sempre partindo do princípio que elas vem de lugares diferentes e enfrentam batalhas diferentes, por vezes mais difíceis que as nossas. A compaixão criada pelos colegas de treino é transferida para o dia-a-dia onde nossos “usuários” tem suas particularidades e realidades que podem ser estranhas ao nosso entendimento, mas precisam ser compreendidas para que consigamos trazer valor a eles.

5 – Espiritualidade:

Independente da crença religiosa, o Jiu-Jitsu desperta no indivíduo um sentido a mais, como se o olho da mente se abrisse para importância das conexões humanas. Talvez pela relação corpo-mente-espírito, eu naturalmente senti um despertar que partiu dessa luta diária pela evolução. Assim como no design, onde por vezes ficamos dias em cima de um problema específico, no Jiu podemos demorar meses e anos até alcançar aquele colega de treino mais avançado, ou simplesmente sobreviver a um rola de faixa preta. Somente com muita força de vontade e gana, é possível ultrapassar e começar a dominar um território que previamente era altamente perigoso. Quando despertamos dentro de nós essa força interior, tudo se torna mais alcançável e menos assustador, nos permitindo sentir que nosso trabalho tem propósito e tem efeitos que nem conseguimos compreender em sua totalidade.

A consciência que podemos obter através da prática do Jiu-Jitsu é certamente transportada para todas dimensões de nossas vidas. Com a prática do design se tornando cada vez mais essencial durante o atual desenvolvimento tecnológico, temos a responsabilidade de cada vez mais elevar nossa consciência para um estado de maior entendimento e conexão com as outras pessoas. Sejam clientes ou colegas de trabalho, não é fácil estar sempre disposto a ajudar e entender as limitações dos outros — e as nossas próprias — porém é nossa responsabilidade procurar aliados que nos ajudem nessa caminhada. Naturalmente empatia sozinha inexiste, e assim como escreveu Steve Selzer, ela não basta por si só. O senso crítico é sempre condutor das diversas decisões e soluções que prevemos em nosso trabalho. Não existem segredos nem atalhos para nos tornarmos pessoas melhores e bem capacitadas. A capacidade de superar desafios é uma habilidade que pode ser exercitada onde a força que temos se transpõe paras relações interpessoais seja no profissionalmente e socialmente.


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